Sobre as chuvas e as imagens da política

A devastação das chuvas gera imagens fortes. Na política, onde não há espaço vazio, também. Àqueles que odeiam a política e acham que ela não passa de hipocrisia, sugiro parar a leitura por aqui e ir embora: no mundo real, simplificar dificilmente é a opção mais inteligente. A imprensa não é boba. O eleitor também não. A repercussão das ações realizadas pelos agentes públicos durante um momento de tragédia é consequência direta de suas ações. Afinal, é legítimo que das autoridades públicas seja exigida a melhor performance quando dezenas de milhares de pessoas estejam desalojadas.

Where’s Rambo?

Há alguma coisa ainda a ser explicada no episódio Rodney Miranda (DEM) e a viagem desastrosa a Nova Iorque. Dizem que o prefeito foi avisado repetidas vezes por assessores e aliados políticos experientes. Além do mais, ele conhece a força da presença in loco da principal autoridade em uma operação do poder público no jogo político. Não dá pra esquecer uma das mais fortes cenas que o delegado federal produziu ao longo da sua carreira política, devidamente caracterizado, à frente de operações da Secretaria de Segurança Pública.

Rodney nos tempos de Sesp. O Rambo se foi? Foto: Blog da Mariazinha (2009)

Rodney nos tempos de Sesp: o Rambo se foi? Foto: Blog da Mariazinha (2009)

Work-a-holic

Parece que a repercussão do episódio Rodney serviu para alertar outros prefeitos, principalmente na Grande Vitória. Na capital, Luciano Rezende (que já tem fama de work-a-holic entre a equipe da PMV) esteve presente quase todo o tempo nos locais alagados, nos deslizamentos e na Praça do Papa, onde sociedade civil e poder público organizam notável ação de ajuda aos desabrigados.

    O prefeito Luciano Resende se apresenta em São Cristovão vestido com colete da Defesa Civil.

Luciano Rezende em São Cristovão vestido com colete da Defesa Civil. Foto: Facebook (vereador Rogerinho Pinheiro)

Mandou bem

A Câmara de Vitória, com visível plano de recuperação de imagem em curso, disponibilizou servidores e veículos para ajudar na ação da Praça do Papa. O vereador Rogerinho Pinheiro (PHS), que tem forte atuação no bairro São Cristóvão, um dos que mais sofreu com as chuvas, colocou a equipe na rua para ajudar, esteve em vários locais e divulgou imagens nas redes sociais pedindo ajuda.

Mandou bem II

Apesar do chororô da imprensa local e lideranças ligadas às outras pré-candidaturas à presidência, Dilma Rousseff marca pontos com os capixabas ao vir ao Espírito Santo na véspera do Natal e anunciar recursos para dirimir as consequências das chuvas e investimentos para combate às futuras enchentes. De quebra a presença a aproxima de Renato Casagrande e vai, pela base, minando planos que Eduardo Campos possa ter (se é que tem) por aqui. E, consequentemente, os do PMDB local.

Dilma Sobrevoa o ES. Foto: Blog do Planalto

Dilma sobrevoa o ES. Também de colete da Defesa Civíl. Foto: Blog do Planalto

#paporeto

Aliás, emblemático mesmo é o anúncio de ações feito pelo Twitter, num momento em que a imprensa nacional recebia críticas dos capixabas nas redes sociais pelo pouco espaço dedicado à maior precipitação da história recente do Espírito Santo.

Santa Teresa

Na terra dos colibris, lá pelas tantas, não havia telefone funcionando e o Secretário de Planejamento, Luciano Forrechi (outro que tem fama de work-a-holic) resolvia pepinos pelo Facebook mesmo: “precisamos urgente falar com Jorge Lemos da CDL.”, avisou pelo perfil pessoal.  Além do mais, atuou como defesa civil e assessoria de imprensa o tempo todo na rede social.

Companheirxs

Neologismos afirmativos da luta de gênero não são novidade nas publicações da esquerda e dos movimentos sociais. Mas merece destaque a nota com “todxs xs atingidxs”, do PSOL estadual. Imagina quando for para se referir à presidentx Dilma.

As 12 irmãs!

A nota do PSOL, aliás, cobra responsabilidade e ações do poder público durante os dias de tragédia. Já outras pessoas cobraram a presença das grandes empresas, que não foram vistas ainda anunciando sequer uma ação para amenizar os efeitos das chuvas.

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2 pensamentos sobre “Sobre as chuvas e as imagens da política

  1. Namy Chequer disse:

    Muito bem e muito bom, Léo. Um blog neste padrão vai ser de leitura obrigatória. No primeiro artigo, eu só acrescentaria que um forte elemento da política, a imprensa, fez comparações descabidas entre as chuvas de 1979 e a de 2013. Só ela, a imprensa, não mudou no tempo entre as duas datas. O Espírito Santo mudou bastante. Antes, tínhamos apenas meia dúzia de estradas asfaltadas e muitíssima gente do povo morava em barracos de madeira nas encostas. Hoje, todos os municípios são interligados por asfalto e pontes mais seguras e é rara a residência que não seja de alvenaria. Estamos, portanto, mais seguros. Em 79, o pessoal Rádio-amador foi fundamental, hoje todos temos celulares. Lá atrás, a solidariedade teve de ser convocada no repto de Dom João Batista ( “Só o povo salva o povo”), enquanto agora as redes sociais cumpriram o papel. Falaram em 300 mortos em Minas e ES em 79, quantidade felizmente bem menor hoje. Até a capacidade de enfrentar a recuperação é bem maior. Acho que caberia a Casagrande puxar esta questão, dizendo que mudamos para melhor ao longo de vinte e poucos anos, embora a chuva seja a mesma.
    Namy Chequer

  2. Obrigado pela contribuição, Namy. De fato, não tem como comparar o impacto das águas no final da década de 1970 e agora. Um abraço!

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