Enchentes: estudo pronto desde 2009 diz o que fazer para desassorear bacias

O Governo do Estado e as prefeituras da Grande Vitória já sabem exatamente o que fazer em relação às principais bacias hidrográficas da Região Metropolitana para prevenir enchentes desde 2009.

Quando os gestores prestam atenção no que próprio estado faz, podem abrir mão de improvisos e atos heroicos na execução de políticas públicas.

Um estudo encomendado em 2007 pelo Comdevit por R$ 300.000,00 e entregue ao Instituto Jones dos Santos Neves indica uma série de ações necessárias para o desassoreamento e regularização dos leitos e margens dos rios Jucu, Formate e Marinho.

A recuperação do Dique Guaranhuns é uma das primeiras ações propostas pelo levantamento.

Os recursos para o financiamento do estudo são provenientes do Fumdevit – Fundo Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vitória.

O relatório final, entregue pela empresa Acquatool Consultoria traz desde informações sobre a história das intervenções já realizadas nas bacias, desde os jesuítas, até os custos, os termos de referência e as especificações técnicas de cada uma das intervenções que propõe.

Clique aqui e baixe o relatório final e o anexo do Estudo.

Clique aqui e baixe a Resolução Comdevit Nº 05, de 30 de maio de 2007, publicada no Diário Oficial de 20 de junho do mesmo ano.

Um artigo da edição de Outubro de 2010 da Revista do Comdevit, com base no estudo diz que “o custo total das obras previstas é da ordem de R$ 355,3 milhões, sendo desagregadas em três componentes:

a)    obras a serem implantadas no rio Marinho, com um orçamento avaliado em R$ 65,4 milhões;

b) obras a serem implantadas no rio Formate, com  um orçamento avaliado em R$ 35,2 milhões;

b)    obras a serem implantadas no rio Jucu, com um orçamento avaliado em R$ 254,7 milhões.”

O estudo aponta, inclusive, como captar esses recursos com o Governo Federal.  No final, a equipe da Acquatool aponta a necessidade de criação de uma autarquia específica para agilizar a captação e a operação desses recursos.

A criação da Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH),  aprovada por meio do Projeto de Lei 289/2013 de autoria do Executivo foi publicada no DIO do dia 16 de dezembro de 2013.

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Sobre as chuvas e as imagens da política

A devastação das chuvas gera imagens fortes. Na política, onde não há espaço vazio, também. Àqueles que odeiam a política e acham que ela não passa de hipocrisia, sugiro parar a leitura por aqui e ir embora: no mundo real, simplificar dificilmente é a opção mais inteligente. A imprensa não é boba. O eleitor também não. A repercussão das ações realizadas pelos agentes públicos durante um momento de tragédia é consequência direta de suas ações. Afinal, é legítimo que das autoridades públicas seja exigida a melhor performance quando dezenas de milhares de pessoas estejam desalojadas.

Where’s Rambo?

Há alguma coisa ainda a ser explicada no episódio Rodney Miranda (DEM) e a viagem desastrosa a Nova Iorque. Dizem que o prefeito foi avisado repetidas vezes por assessores e aliados políticos experientes. Além do mais, ele conhece a força da presença in loco da principal autoridade em uma operação do poder público no jogo político. Não dá pra esquecer uma das mais fortes cenas que o delegado federal produziu ao longo da sua carreira política, devidamente caracterizado, à frente de operações da Secretaria de Segurança Pública.

Rodney nos tempos de Sesp. O Rambo se foi? Foto: Blog da Mariazinha (2009)

Rodney nos tempos de Sesp: o Rambo se foi? Foto: Blog da Mariazinha (2009)

Work-a-holic

Parece que a repercussão do episódio Rodney serviu para alertar outros prefeitos, principalmente na Grande Vitória. Na capital, Luciano Rezende (que já tem fama de work-a-holic entre a equipe da PMV) esteve presente quase todo o tempo nos locais alagados, nos deslizamentos e na Praça do Papa, onde sociedade civil e poder público organizam notável ação de ajuda aos desabrigados.

    O prefeito Luciano Resende se apresenta em São Cristovão vestido com colete da Defesa Civil.

Luciano Rezende em São Cristovão vestido com colete da Defesa Civil. Foto: Facebook (vereador Rogerinho Pinheiro)

Mandou bem

A Câmara de Vitória, com visível plano de recuperação de imagem em curso, disponibilizou servidores e veículos para ajudar na ação da Praça do Papa. O vereador Rogerinho Pinheiro (PHS), que tem forte atuação no bairro São Cristóvão, um dos que mais sofreu com as chuvas, colocou a equipe na rua para ajudar, esteve em vários locais e divulgou imagens nas redes sociais pedindo ajuda.

Mandou bem II

Apesar do chororô da imprensa local e lideranças ligadas às outras pré-candidaturas à presidência, Dilma Rousseff marca pontos com os capixabas ao vir ao Espírito Santo na véspera do Natal e anunciar recursos para dirimir as consequências das chuvas e investimentos para combate às futuras enchentes. De quebra a presença a aproxima de Renato Casagrande e vai, pela base, minando planos que Eduardo Campos possa ter (se é que tem) por aqui. E, consequentemente, os do PMDB local.

Dilma Sobrevoa o ES. Foto: Blog do Planalto

Dilma sobrevoa o ES. Também de colete da Defesa Civíl. Foto: Blog do Planalto

#paporeto

Aliás, emblemático mesmo é o anúncio de ações feito pelo Twitter, num momento em que a imprensa nacional recebia críticas dos capixabas nas redes sociais pelo pouco espaço dedicado à maior precipitação da história recente do Espírito Santo.

Santa Teresa

Na terra dos colibris, lá pelas tantas, não havia telefone funcionando e o Secretário de Planejamento, Luciano Forrechi (outro que tem fama de work-a-holic) resolvia pepinos pelo Facebook mesmo: “precisamos urgente falar com Jorge Lemos da CDL.”, avisou pelo perfil pessoal.  Além do mais, atuou como defesa civil e assessoria de imprensa o tempo todo na rede social.

Companheirxs

Neologismos afirmativos da luta de gênero não são novidade nas publicações da esquerda e dos movimentos sociais. Mas merece destaque a nota com “todxs xs atingidxs”, do PSOL estadual. Imagina quando for para se referir à presidentx Dilma.

As 12 irmãs!

A nota do PSOL, aliás, cobra responsabilidade e ações do poder público durante os dias de tragédia. Já outras pessoas cobraram a presença das grandes empresas, que não foram vistas ainda anunciando sequer uma ação para amenizar os efeitos das chuvas.